
Uma reportagem da CNN Brasil destaca o início das obras de recuperação do Café Lamas, no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Fechado desde o incêndio que atingiu o estabelecimento em junho, o restaurante agora se prepara para retomar as atividades e preservar uma história que se confunde com a própria trajetória da gastronomia carioca.
Segundo Milton Brito, sócio do empreendimento, as obras começaram na semana da publicação da reportagem e a previsão é de que o Café Lamas possa reabrir em aproximadamente 30 dias, caso o cronograma avance conforme o planejado. A estimativa ainda não representa uma data oficial de reabertura.
O Café Lamas foi inaugurado em 1874 e é considerado o restaurante mais antigo do gênero em funcionamento no Rio de Janeiro. Ao longo de 152 anos, o negócio atravessou mudanças urbanas, transformações no perfil de consumo e diferentes ciclos da cidade, mantendo como principais marcas a qualidade dos produtos, a fartura das porções e o padrão de atendimento.
Um incêndio e o desafio de manter a operação
O incêndio começou por volta das 17h30 de 16 de junho, de acordo com a CNN Brasil, e teria sido provocado por um curto-circuito em uma fritadeira. As chamas danificaram principalmente a cozinha, enquanto a fumaça atingiu o salão, que também precisará passar por reparos e pintura. O Café Lamas informa que contava com seguro para acidentes desse tipo, mas o período de portas fechadas trouxe um desafio adicional: a interrupção da receita sem a suspensão das despesas com a equipe.
Em entrevista à CNN Brasil, Milton Brito afirmou que os funcionários continuaram recebendo os salários durante o fechamento. A situação evidencia uma das maiores dificuldades enfrentadas por empresas de alimentação fora do lar após eventos que interrompem a operação: preservar a equipe e a capacidade de retomada mesmo quando o faturamento deixa de entrar.
Uma reportagem da CBN Rio publicada em julho registrou que o restaurante ainda aguardava a liberação do seguro e que equipamentos como geladeiras, fogões, fritadeiras e armários haviam sido atingidos, além de parte do teto. A atualização da CNN Brasil mostra que, desde então, o cenário avançou e a reconstrução pôde ser iniciada.
Solidariedade entre bares e restaurantes
A recuperação do Café Lamas também mobilizou empresários do setor. A iniciativa foi articulada por Ricardo Garrido, sócio-fundador da Cia. Tradicional de Comércio, e contou com a participação de estabelecimentos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Durante o movimento, casas participantes destinaram ao Lamas a receita obtida com a venda de petiscos ou pratos específicos de seus cardápios.
A mobilização contou com a participação de Mariana Rezende, sócia do Bar da Frente e vice-presidente de comunicação do SindRio. Além de contribuir para a arrecadação de recursos em um momento crítico, a ação ajudou a chamar a atenção do público para a importância de apoiar negócios que fazem parte da identidade da cidade.
Para Fernando Blower, presidente do SindRio, a corrente de apoio deixa uma mensagem importante para o ambiente de negócios. Em declaração publicada pela CNN Brasil, ele afirmou que o encerramento de um bar histórico representaria um baque para a cultura carioca e que os estabelecimentos do setor não precisam se enxergar apenas como competidores.
Essa visão é especialmente relevante em um mercado formado por empresas que compartilham desafios semelhantes, como custos elevados, necessidade de mão de obra qualificada, pressão sobre as margens e dependência de um ambiente urbano favorável. Em situações de crise, a cooperação pode ajudar a preservar empregos, fortalecer a imagem do setor e manter vivo o patrimônio gastronômico do Rio.
Tradição como ativo de negócio
A retomada do Café Lamas mostra também que tradição não é apenas memória: pode ser um ativo de negócio. O restaurante mantém receitas conhecidas por gerações, entre elas os filés à francesa, à Oswaldo Aranha e à parmegiana, além da canja de galinha e dos pastéis. Para Milton Brito, a consistência do cardápio, a qualidade e o atendimento estão entre os fatores que explicam a longevidade da casa.
O estabelecimento começou sua história no Largo do Machado e mudou-se para a Rua Marquês de Abrantes, onde permanece até hoje, na década de 1970, em razão das obras do metrô. A capacidade de atravessar mudanças sem perder a identidade ajuda a explicar por que o Lamas continua sendo reconhecido por moradores, visitantes e profissionais da gastronomia.
Para bares, restaurantes, hotéis e negócios similares, o caso reforça a importância de combinar identidade, gestão de riscos e relacionamento com a comunidade. Seguro, planejamento de contingência, comunicação transparente e preservação da equipe são elementos decisivos para reduzir o impacto de uma interrupção e acelerar a volta à operação.
Quando o Café Lamas deve reabrir?
A previsão informada por Milton Brito é de reabertura em cerca de 30 dias a partir do início das obras, desde que a reforma avance conforme o planejado. Até o momento da reportagem da CNN Brasil, não havia uma data oficial confirmada para a retomada do atendimento ao público.
O Café Lamas fica na Rua Marquês de Abrantes, 18A, no Flamengo, Rio de Janeiro. A expectativa é que a reabertura devolva à cidade um de seus endereços mais tradicionais e confirme, mais uma vez, a capacidade do setor de bares e restaurantes de se mobilizar em defesa de sua história e de seu futuro.
O SindRio acompanha e valoriza iniciativas que fortalecem o ambiente de negócios, a cultura gastronômica e a sustentabilidade das empresas do setor no Rio de Janeiro.



