Na cobertura contínua do Coronavírus o SindRio compartilha o artigo de Simone Galante, publicado na Gazeta do Povo nesta sexta (13), sobre quais providências podem ser tomadas por bares e restaurantes para minimizar o risco de contágio e reduzir o impacto da queda de clientes durante as mudanças nos hábitos dos consumidores. 

Leia na íntegra.

O assunto de maior repercussão neste momento é a disseminação do Covid-19 e todas as iniciativas que estão sendo tomadas pelas pessoas e pelas empresas. E como isso impacta o foodservice?

Esperamos uma grande disrupção pela frente. O Covid-19 é como um gatilho para que as vendas por delivery disparem, na lógica de que os consumidores estarão evitando aglomerações – e que isso, em seu extremo, significará não sair de casa. No entanto, enquanto isso não acontece, procuramos saber mais sobre quais negócios serão afetados e o que podemos fazer para minimizar os impactos.

A perspectiva é que teremos queda de tráfego nos restaurantes, principalmente em locais onde a aglomeração é uma característica: cruzeiros marítimos, arenas, estádios, cinemas, bares e casas noturnas ou praças de alimentação que sejam normalmente muito cheias. Mas há outro segmento relevante em nosso país que também deve sentir bastante: os nossos restaurantes por quilo ou self-service.

Para ajudar a gente a pensar em quais providências tomar, precisamos compreender como pensam os consumidores. Muitos deles vão pensar em diminuir jornadas de compra.

Então, ir a locais onde posso comprar comida para vários dias, como supermercados, empórios e padarias pode ser mais convenientes do que ir a um restaurante, onde resolvo normalmente somente uma refeição. E é aí que o delivery entra com força. Se eu não desejar sair, vou pedir algo que venha até mim.

Segundo uma pesquisa americana, as ações que praticamente 70% dos consumidores dizem testar com receio de fazer, por acreditar que poderão contrair o vírus a partir delas em locais de refeição fora do lar, são:

1. Abrir maçanetas de porta contaminadas;
2. Se servir em locais de “self-service”, com utensílios comuns a todos;
3. Usar banheiro público no restaurante;
4. Sentar em um ambiente muito cheio para comer;
5. Se servir de refrigerantes em “self-service”, refil grátis.

No processo de escolha de onde comer, estará mais relevante do que nunca a confiança. Neste momento, as nossas sugestões do que fazer no seu restaurante são:

1. Comece com a sua equipe: comunique muito bem os procedimentos de higiene e limpeza, sintomas, sua política de não trabalhar com ninguém que estiver doente. Ampare as dúvidas e volte com dicas práticas para o aprendizado: ao invés de falar para lavarem as mãos por 20 segundos, por exemplo, adorei ouvir outro dia um médico dizer: “cante parabéns mentalmente por duas vezes enquanto lava as mãos e antebraços”.

2. Mude a frequência dos procedimentos de higiene e limpeza: e torne tudo isso visível ao público. Tenha alguém limpando sempre tudo: mesas, quiosques, utensílios, enfim, tudo em que as pessoas tocam. Não basta comunicar: tem que fazer.

3. Proteja a todos visivelmente: prontamente faça uso de luvas, equipamentos de proteção individual, uniformes impecáveis e limpos – além disso, seja mais crítico com a desorganização visual do que quer que seja: dos lixos, potes, comida, enfim, tudo que estiver à vista do consumidor.

4. Tenha sabonetes líquidos e desinfetantes/álcool-gel para uso do cliente: pense em como proteger melhor também a comida com tampas, lacres, especialmente em embalagens para viagem e protetores onde ela é servida. Sempre que possível, não exponha desnecessariamente a comida.

6. Em embalagens para viagem: a percepção de higiene é muitas vezes melhor se tudo está embalado individualmente. Tenha certeza que os lacres realmente funcionam e informe tudo que está fazendo com comunicações claras ao consumidor.

7. Em restaurantes de serviço completo: aumente o espaçamento entre as mesas e repense o uso de mesas comunitárias neste momento.

8. Converse com seus fornecedores: entenda como está o impacto para eles, como vocês podem trabalhar juntos para garantir o estoque, a qualidade e o abastecimento dos produtos.

9. Fique de olho no seu fluxo de caixa: minimize gastos extraordinários ou que possam ser adiados neste momento. Mas pense no que faz hoje seu cliente voltar: qualidade, inovação e atendimento – e agora mais que nunca na limpeza – e corte gastos de maneira consciente.

10. Incremente seu delivery: pense em como sua oferta pode ser mais estratégica no delivery, revise embalagem, procedimentos, velocidade, hospitalidade, e converse com parceiros. Eventualmente, pense em fazer pequenas entregas na sua área de influência, ou seja, 10 minutinhos a pé onde você ou seu time possam atender. É hora de pensar em outras formas de vender, e o que é atrativo ao consumidor e lucrativo ao seu negócio.

Por fim, estamos em um negócio que pode sempre trazer boas memórias, uma comemoração, e fazer as pessoas se sentirem melhor. Hora de trabalhar com afinco!

*Simone Galante é fundadora e CEO da Galunion Consultoria para Foodservice, em São Paulo, especializada em serviços de alimentação com foco em projetos que gerem resultados com metodologias colaborativas através de alianças no mercado.

Fonte: http://bit.ly/2U8HIP8