Publicado em: 21/05/2019

Projeto Gosto da Amazônia oferece Palestra e Oficinas abertas ao público

No final de maio começa uma das fases mais importantes do projeto Gosto da Amazônia – sabor que preserva a floresta. Os pontos-chave dessa etapa serão a compreensão do consumo sustentável e a experiência sensorial com esse produto de enorme potencial.

Para que o público entenda a diferença entre este pescado selvagem e o pirarucu de cativeiro que já existe no mercado, será ministrada uma palestra inédita no Rio sobre o Manejo Sustentável. A Coordenadora do Programa de Manejo de Pesca, Ana Claudia Torres Gonçalves, do Instituto Mamirauá, mostrará todas as etapas que constituem o manejo. Desde antes da pesca, no planejamento, até a limpeza e processamento e monitoramento rigoroso do peixe para o consumo. Através de fotos encantadoras e impressionantes, Ana Claudia conduzirá o público numa viagem onde a beleza e riqueza da Amazônia mostrará a importância de conhecermos melhor o potencial de nosso país. A palestra e as oficinas se complementam. A primeira será primordialmente para que se entendam as diferenças entre pesca predatória e sustentável, e que se conheça o histórico e a metodologia desenvolvida pelo Instituto Mamirauá. Os números surpreendentes resultantes dessa metodologia sustentável praticada por indígenas e ribeirinhos da região indicam que esse novo tipo de pesca, manejada, poderá também resultar uma significativa melhoria de vida para os pescadores.

Em seguida vem a parte deliciosa do projeto, com as oficinas culinárias.

“Fazer uma ou mais oficinas no SindRio, é uma oportunidade única de ter dicas preciosas dos experientes chefs que receberam o pirarucu selvagem diretamente de Associações de pescadores na Amazônia. Eles testaram e se surpreenderam com a versatilidade desse incrível peixe brasileiro”, afirmou Teresa Corção.

Além de Teresa Corção, outros sete chefs vão compartilhar com o público, dicas e deliciosas receitas com o pirarucu de manejo, durante o mês de junho, no SINDRIO – Sindicado de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Maniva.

Aulas gratuitas com degustação dos pratos de Nao Hara, Roberta Sudbrack, Natacha Fink, Ricardo Lapeyre, Andressa Cabral, Frédéric Monnier, Teresa Corção e Roland Villard serão ministradas às segundas e terças.

Assim como a palestras, as oficinas são abertas ao público. Para participar, basta acessar os links e fazer a inscrição.

> Palestra

> Oficinas Culinárias

 


Saiba mais sobre o Projeto

O manejo na Amazônia – O pirarucu (Arapaima gigas) é o maior peixe de escamas de água doce do mundo e se encontra principalmente na bacia Amazônica, podendo atingir até três metros de comprimento e 200kg de peso.   O manejo hoje está presente em 34 áreas protegidas e/ou com Acordos de Pesca devidamente autorizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e vem ganhando escala mais recentemente com a atuação conjunta de diversas comunidades manejadoras, organizações da sociedade civil e governamentais, fruto da parceria entre o Governo Brasileiro e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional/USAID, com apoio técnico do Serviço Florestal Americano (USFS), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Conservação Estratégica (CSF), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), Memorial Chico Mendes (MCM), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) e Associação dos Comunitários que trabalham com Desenvolvimento Sustentável no Município de Jutaí (ACJ).

Prática de uso sustentável e gestão participativa do recurso pesqueiro, o manejo comunitário garante a sobrevivência da espécie, soberania alimentar e renda às comunidades envolvidas no processo, configurando-se como um extraordinário caso de conservação da biodiversidade. Graças à atividade, o pirarucu voltou a habitar grande parte das várzeas amazônicas e não é mais uma espécie ameaçada. Com o esforço realizado para a implementação do manejo do pirarucu, que envolve atividades de contagem e a vigilância dos lagos, entre outras etapas, observa-se que os estoques de outras espécies aumentaram, como tambaqui, jacaré-açu, tartaruga, tracajá, peixe-boi.

O projeto no Rio de Janeiro – Desenvolvido a partir da necessidade de se conquistarem novos mercados e um número maior de consumidores para o produto, o Gosto da Amazônia é fruto de uma parceria entre as instituições responsáveis pelo manejo do pirarucu, o Instituto Maniva, cuja missão é promover a melhoria da qualidade alimentar da sociedade, valorizando o modelo de produção familiar e sustentável, e o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SINDRIO), que representa institucionalmente mais de 11.000 estabelecimentos na cidade e está sempre em busca de novidades e melhorias para o setor.

Na primeira etapa do projeto, 16 chefs da cidade testaram e aprovaram o pirarucu de manejo, e após a realização das oficinas no SindRio estão previstas mais três inciativas para estimular o consumo do produto no Rio: nove chefs viajarão para a Amazônia e conhecerão de perto a pesca do pirarucu e seus impactos sociais e econômicos nas comunidades que participam do manejo; em agosto, um quiosque especializado em receitas de pirarucu de manejo e uma barraca na feira de produtores com produtos amazônicos marcarão presença dentro do maior evento de Gastronomia do país, o Rio Gastronomia; e de 20 de setembro a 06 de outubro será realizado o Festival Gosto da Amazônia no CADEG, com restaurantes servindo pratos especiais preparados com pirarucu e lojas do mercado vendendo produtos da Amazônia.

Foto: Bernardo Oliveira